terça-feira, 21 de junho de 2011

Pode tudo. Mas pegue leve

É saudável preocupar-se com o físico – e os adolescentes estão levando isso a sério. Nunca antes as academias de ginástica foram freqüentadas por gente tão jovem. Do total de alunos de grandes academias, como Runner, Fórmula Academia e Bio Ritmo, 25% têm menos de 20 anos. "A garotada começa a procurar a musculação a partir dos 13 anos, porque seus exercícios trazem resultados estéticos muito rápidos", diz Manoel Carrano, diretor-presidente da Fórmula Academia. Isso é bom e ruim. O jovem pode praticar todas as modalidades esportivas sem prejuízo à saúde ou ao processo de crescimento. Mas isso deve ser feito com moderação. Ou seja, é preciso limitar o tempo da prática esportiva e o esforço exigido. "A quantidade ideal até os 18 anos é seis horas por semana", diz Ana Lúcia de Sá Pinto, médica do esporte e pediatra do Ambulatório de Medicina Esportiva do Hospital das Clínicas, em São Paulo. O que requer mais cuidado e precaução é a sobrecarga de esforços. Vale a regra geral de que o jovem pode suportar 60% da carga de um adulto.

Os esportes dividem-se em quatro categorias, cada uma delas com diferente grau de cuidados para o adolescente:

• Anaeróbios: são os exercícios em que o praticante corre e pára várias vezes. Exemplos: futebol, basquete, vôlei, tênis e handebol. Uma partida de futebol entre adolescentes não deveria ultrapassar os 60 minutos, contra os 90 do jogo oficial. É evidente que os jovens não levam isso em conta e jogam durante horas, se puderem. Mas é o que diz o manual médico. Em tese, os excessos praticados nesses jogos não têm conseqüências drásticas.

• Aeróbios: são as modalidades que trabalham os músculos usando a respiração na produção de energia. Exemplos: corrida, ciclismo, natação, dança e ginástica aeróbica. Não há problema algum em correr e andar de bicicleta livremente, mas para competições a idade mínima recomendada é 14 (ciclismo) e 16 anos (corrida).

• Exercícios de resistência: são os que trabalham principalmente a força muscular. Entram nessa categoria a musculação e a ginástica olímpica. A musculação já foi inteiramente proibida para jovens na idade do crescimento. Hoje é permitida para maiores de 15 anos, mas com a restrição de peso. O excesso de carga pode levar ao endurecimento das articulações e, dessa forma, causar a interrupção precoce do processo de crescimento.

• Exercícios de resistência de alto risco: o objetivo é trabalhar a força dos músculos de forma intensa para ganhar massa muscular. Exemplos: o fisiculturismo, o levantamento de peso e o boxe. São contra-indicados para adolescentes. "O ideal é esperar o fim da fase de crescimento para começar a se preocupar com o ganho de massa muscular", diz o ortopedista Francisco Vanor Cruz, especialista em medicina do esporte do Hospital Uniclinic, em Fortaleza. "Antes disso, o garoto não tem corpo de homem e os ossos não estão consolidados."

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Parece que só você não corre?

 
Basta observar o movimento nas ruas das principais cidades brasileiras, no início das manhãs e nos fins de tarde, para constatar: correr está na moda. Cada vez mais gente descobre os prazeres – e as vantagens – da corrida como forma de condicionamento físico. Calcula-se que, hoje, 4 milhões de brasileiros corram regularmente. É uma febre que pode ser medida pela quantidade de esportistas que participam de provas e competições. Em São Paulo, o número de inscritos nas diversas provas realizadas pela ONG Corpore, a maior organizadora de eventos desse tipo na América Latina, passou de 9 400 pessoas em 1997 para mais de 56 000 em 2004. A Meia Maratona do Rio de Janeiro, que em 1997 contou com 3 300 competidores, neste ano teve recorde de 13 400 corredores inscritos. Na São Silvestre, a competição mais famosa do país, realizada todo dia 31 de dezembro em São Paulo, o número de participantes passou de 7 700 em 1996 para mais de 15 000 em 2003 – chegando ao limite de inscrições que o regulamento permite. A febre da corrida se evidencia também pela multiplicação das assessorias esportivas, organizações formadas por treinadores e professores de educação física que planejam e orientam os treinos de quem quer ampliar os próprios limites na corrida. Em São Paulo já existem 120 empresas desse tipo. 

Segundo os médicos, a corrida é um dos melhores exercícios que existem. Estudos recentes concluíram que sua prática regular proporciona os seguintes benefícios à saúde: 

• Reduz o risco de doenças cardiovasculares, ajuda a pressão arterial a manter-se em níveis satisfatórios e aumenta as taxas de HDL (o bom colesterol).
• Diminui o risco de desenvolver diabetes. Faz com que a ação da insulina se torne mais eficiente, reduzindo a taxa de açúcar no sangue.
• Melhora o funcionamento do cérebro e o humor. Durante a corrida, o cérebro aumenta a produção de serotonina, dopamina e endorfina, substâncias que proporcionam sensação de bem-estar.
• Fortalece os ossos e as articulações. Faz com que a densidade dos ossos aumente durante a juventude e desacelera a perda de massa óssea na fase adulta.
• Ajuda a emagrecer e a manter o peso. O organismo queima uma grande quantidade de gordura para produzir energia. Em uma hora de corrida rápida, eliminam-se 800 calorias, mesma quantidade fornecida por um hambúrguer e uma porção de batatas fritas. 

Mesmo quem costuma caminhar pode incluir um pouco de corrida no meio do exercício. Bastam dois minutos de corrida para aumentar a combustão de calorias e melhorar o condicionamento físico

domingo, 12 de junho de 2011

É melhor pegar leve

Até alguns anos atrás, o adolescente praticava esporte na rua, na escola, no clube ou na área de lazer do condomínio. Cada vez mais, no entanto, o público dessa faixa etária vem se deixando seduzir pelas academias. Na vida de muitos meninos e meninas, freqüentar esses lugares virou atividade corriqueira. Academias já oferecem, inclusive, programas específicos para eles. Os especialistas julgam que esse cultivo do corpo é positivo, porque se trata de um contraponto a práticas como a alimentação à base de fast food e o hábito de gastar horas diante do computador. Mas os jovens devem ficar atentos aos riscos a que estão expostos. Como seu corpo e sua identidade estão em formação, o adolescente é naturalmente inseguro com a aparência. E a comparação com os físicos malhados ao redor – em geral de adultos que já completaram o desenvolvimento do corpo – pode aumentar suas angústias. Os garotos querem ficar tão musculosos quanto os veteranos do local. As garotas almejam ter a silhueta esbelta das mulheres. Quando viram obsessão, esses desejos prejudicam a saúde, causam transtornos psíquicos e até levam ao caminho das drogas 


Os jovens estão freqüentando a academia cada vez mais cedo. No caso dos garotos, o chamariz é a musculação. Embora se recomende que esse público dê preferência a esportes como o vôlei e a natação, o exercício de levantar pesos pode ter efeito benéfico, se bem orientado. O estudante paulistano Octacílio Costa Neto, de 12 anos, é um exemplo. Ele pratica musculação há cinco meses, sob a supervisão de um professor, para corrigir sua postura. "Já sinto a diferença", diz Neto. Mas a musculação na adolescência deve ser vista com cautela. Quando observam os mais crescidos pegarem pesado nos halteres, muitos tendem a imitá-los – e isso pode ter conseqüências graves. A prática precoce pode prejudicar o crescimento do adolescente. "Há riscos de lesões e de atrofia dos músculos", diz o professor de educação física Mauro Celio do Carmo, da academia paulistana Fórmula.


Ao freqüentarem esses ambientes de culto ao físico, os adolescentes têm de tomar cuidado para não entrar numa espiral de neuroses. Os garotos que praticam musculação são suscetíveis a um transtorno psíquico conhecido como vigorexia. Apesar de musculoso, o rapaz se olha no espelho e acha que está flácido. Isso leva ao ganho exagerado de massa muscular e à tentação dos anabolizantes. O contrário disso – a obsessão de perder peso – não é um perigo menor. Uma pesquisa do Instituto Central do Hospital das Clínicas de São Paulo mostrou que, num universo de 588 jovens de 11 a 18 anos, 47% tinham feito dieta mais de oito vezes. "Quase 5% deles recorreram a métodos nada ortodoxos para perder peso, como o uso de laxantes e diuréticos e o vômito auto-induzido", diz a psicanalista Mara Cristina de Lucia, que coordenou o estudo. As meninas são as maiores vítimas da obsessão pela magreza. No caso das garotas que freqüentam academia, gastar mais tempo que o recomendável na esteira pode ser um indício de que a preocupação passou dos limites. Num extremo – e aí já se trata de distúrbios que requerem apoio de terapia –, a fixação pode levar a males como a anoxeria e a bulimia. Não custa lembrar: preocupar-se com o corpo faz bem, mas é melhor pegar leve. 

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Não dá para não fazer!

Mesmo depois de tudo o que foi dito e escrito sobre as maravilhas que a atividade física pode proporcionar, ainda falta ânimo para começar a malhar? Aí vai uma sugestão: encare a prática regular de exercícios físicos como quem poupa dinheiro para uma aposentadoria tranqüila. Pessoas que se exercitam vivem mais e melhor. Depois de acompanharem durante 25 anos 17 000 estudantes recém-saídos da faculdade, pesquisadores da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, chegaram a uma conta tão simples quanto dois mais dois. Cada hora dedicada à atividade física rende duas horas a mais de vida. O sedentarismo está relacionado a 37% das mortes por câncer, a 54% dos óbitos por doenças cardiovasculares e a 50% dos derrames fatais. Vale a pena levantar-se do sofá, espantar a preguiça e começar a se mexer, não vale?

A importância da atividade física para a saúde começou a ser esmiuçada no fim da década de 60, pelo médico americano Kenneth Cooper. No livro Aerobics, de 1968, ele lançou a teoria de que a chave para manter o organismo em bom estado, especialmente o coração e os pulmões, eram os exercícios aeróbicos. Com o lema de que "mais é melhor", o doutor Cooper preconizava uma rotina de atividade física que se iniciava com corridas de 1,6 quilômetro em doze minutos, cinco vezes por semana. Progressivamente, o ritmo deveria aumentar até alcançar a marca dos 2,8 quilômetros, percorridos nos mesmos doze minutos. Era, sem dúvida, um exagero. Com as descobertas proporcionadas pela fisiologia do esporte, muita coisa mudou de lá para cá. Percebeu-se que o excesso de atividade física pode fazer muito mal à saúde. Os danos mais comuns são as lesões musculares, articulares e nos tendões. O próprio Cooper reviu seus conceitos e tornou-se um arauto da ginástica com moderação. As desabaladas carreiras foram substituídas por caminhadas diárias de 3 quilômetros em meia hora. Com essa rotina, é possível reduzir em até 40% a incidência de várias doenças crônicas. Cai o risco de infarto, derrame, diabetes, osteoporose, artrite e até depressão.

Até pouco tempo atrás, acreditava-se que a musculação não tinha importância nenhuma para a manutenção de uma boa saúde. Servia apenas para tornear formas. Esse equívoco foi desfeito. Estudos recentes mostram que puxar ferro é tão benéfico quanto caminhar ou nadar – desde que, é claro, com a devida orientação de instrutores especializados. Trabalhar os músculos das pernas, por exemplo, faz bem ao coração. Com as pernas fortalecidas, o retorno do sangue ao coração é mais eficiente. A musculação também protege os ossos e as articulações. A contração muscular estimula as células produtoras de ossos a trabalhar com mais vigor e intensifica a fixação de cálcio no esqueleto, o que ajuda a prevenir a osteoporose, doença em que há uma perda progressiva de massa óssea. O aumento de músculos diminui o atrito entre as articulações, o que baixa o risco de artrose. Como são os músculos que sustentam o esqueleto, quando estão enrijecidos eles mantêm a postura certa. Não é à toa que os exercícios de musculação são indicados para muitos casos de dores nas costas. A musculação intensifica ainda a eliminação de glicose pelo organismo. O excesso de glicose no sangue é o que caracteriza o diabetes. Tem mais. Quem imagina que musculação não emagrece está redondamente enganado. Uma pesquisa americana mostra que, duas horas depois do término de um treinamento com peso, o organismo continua a queimar calorias.

O que se recomenda atualmente, em nome da boa saúde, é uma rotina de exercícios físicos que agregue atividades aeróbicas, musculação e alongamento. Essa é a forma mais indicada de melhorar e manter o fôlego, a força, a flexibilidade e a coordenação motora. À medida que o tempo passa, a importância disso tudo vai saltando mais e mais aos olhos. São essas características que permitem que uma pessoa de idade conserve a sua independência na execução de atividades corriqueiras. O jovem malhador de hoje, enfim, é o senhor sacudido de amanhã.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Dia do Desafio - Mexa-se!!

O Dia do Desafio foi criado no Canadá e é difundido mundialmente pela The Association For International Sport for All (TAFISA), entidade de promoção do esporte para todos, sediada na Alemanha.
É uma campanha de incentivo à prática regular de atividades físicas em benefício da saúde e acontece anualmente na última quarta-feira do mês de maio, por meio de ações comunitárias. O SESC SP coordena o evento no Continente Americano desde 2000.
O convite à atividade física se estende a todos, envolvendo o poder público de cada cidade, as instituições da sociedade civil, empresas, voluntários locais e os próprios participantes.
Durante o rigoroso inverno canadense de 1983, quando a temperatura chegava aos 20 graus negativos, o Prefeito sugeriu uma ação que necessitava da colaboração de todos. A ideia propunha que, às 15 h, todos apagassem as luzes, saíssem de casa e caminhassem durante 15 minutos ao redor do quarteirão mais próximo. Era um convite ao exercício do corpo.
Além de estimular a realização de atividade física, a iniciativa ocasionou a economia de energia que pôde ser calculada pelo número de pessoas envolvidas na atividade. No ano seguinte, a experiência foi compartilhada com a cidade vizinha e ambas realizaram a caminhada juntas, na mesma data e horário. Estava lançado o espírito que definiria o programa do Dia do Desafio.
A ideia teve sequencia e o Dia do Desafio passou a ser realizado todos os anos na última quarta-feira do mês de maio, em todo o mundo, e cresce em número de cidades e em total de participantes. Em 2010, o evento completou 15 anos no Brasil e tem oferecido a oportunidade de mobilização coletiva em torno da atividade física para pessoas do Continente Americano.

Então, vamos lá, neste dia 25/05, se movimente por pelo menos 15min.
Se estiver no Brasil, procure uma unidade do SESC e participe desse evento mundial.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Tem gente que até se diverte!

Os exercícios aeróbicos são importantes para a saúde e a estética. O músculo cardíaco ganha eficiência, o sangue circula com mais facilidade por todo o organismo, a pressão arterial mantém-se em níveis satisfatórios, as veias e artérias livram-se do acúmulo de gordura, as taxas de HDL (o bom colesterol) aumentam e as células adiposas murcham conferindo ao corpo uma silhueta mais alinhada. Estaria tudo bem não fosse um detalhe: as atividades aeróbicas costumam ser extremamente enfadonhas. Tanto que, nos últimos cinco anos, elas perderam espaço para as modalidades de wellness (bem-estar, em inglês). A saber, ioga, alongamento e todas as outras modalidades que dão ênfase ao relaxamento e à saúde da mente. Calcula-se que essa ginástica "papo cabeça" tenha roubado cerca de 20% dos alunos das aulas barulhentas e saltitantes de aeróbica.
  A queda no número de praticantes fez com que as academias se dedicassem a criar modalidades mais divertidas. Duas das invenções de maior sucesso para o verão 2003/2004 são a retro class e o camp training. Na primeira, os alunos se exercitam com jogos de rua infantis, como amarelinha, corda, pega-pega e cabo-de-guerra. Na segunda, simulam fazer parte de um treinamento militar. Rastejam pelo chão como se cruzassem um campo minado, escalam paredes e tentam escapar do ataque de um hipotético exército inimigo. As novas aulas são a face mais visível da luta das academias para segurar os alunos nas atividades aeróbicas. Há, no entanto, outra frente de conquista – esta, bem mais discreta. Não se trata de conferir aos exercícios de sempre uma roupagem diferente, mas de ministrá-los com uma técnica até então restrita aos atletas profissionais. É o treinamento intervalado. Desenvolvido na Suécia, na década de 30, o método alterna picos de esforço pesado com outros de intensidade mais leve. Adaptado para a ginástica de academia, o treinamento intervalado estimula a pessoa a não desistir de fazer esteira, por exemplo, e a cumprir a meia hora mínima de atividade aeróbica – o tempo necessário para que o exercício reverta em benefícios cardiovasculares e queime gordura. A vantagem do treinamento intervalado é que ele pode ser usado em todas as aulas de aeróbica: bicicleta, natação, circuito, entre outras.
  O treinamento aeróbico exige muito rigor para surtir os resultados desejados. Engana-se quem imagina que basta sair por aí em desabalada carreira até ficar com a sensação de que o coração está prestes a sair pela boca. O bom treino é altamente técnico, repleto de especificidades. Primeiro, para que ele seja efetivo, deve-se trabalhar dentro de uma faixa de segurança. O melhor indicador de até onde o organismo pode chegar é dado pelo ritmo dos batimentos cardíacos mínimos e máximos, que varia de pessoa para pessoa, conforme a idade de cada uma. Exercitar-se abaixo da freqüência cardíaca mínima não traz benefício algum. Acima, sobrecarrega o coração. O intervalo entre a freqüência cardíaca máxima e a mínima pode ser dividido em duas partes. Trabalhar numa delas traz mais benefícios cardiovasculares. Em outra, prioriza-se a queima de gordura.   
Descobriu-se não faz muito tempo que dois benefícios antes atribuídos exclusivamente à aeróbica também podem ser conseguidos com musculação. Puxar ferro protege o coração e ajuda a emagrecer. Isso mesmo. Com o enrijecimento da musculatura da perna, o retorno do sangue ao coração é mais eficiente. E até uma hora depois do treinamento com peso o organismo continua a queimar calorias. É uma boa notícia, claro. Mas os que detestam suar a camiseta em atividades aeróbicas não podem usar as descobertas da medicina do esporte como desculpa para abandonar o treinamento específico. Ele continua imprescindível – por, no mínimo, meia hora diária, cinco vezes por semana.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Jovens por mais tempo

Até 2050, a expectativa de vida dos brasileiros, hoje de 71,7 anos, deve, conforme o IBGE, aumentar em uma década – alcançando um índice semelhante ao dos japoneses (que, por sua vez, terão atingido uma expectativa de 85 anos). No passado, a curva ascendente da longevidade devia-se sobretudo a progressos básicos, como o acesso universal a vacinas ou à água tratada. A ascensão dos próximos anos será produzida por um fenômeno muito mais complexo – o progresso da medicina em novos campos, como o da prevenção de doenças pela análise do DNA, cirurgias até agora tecnicamente impossíveis e pesquisas que determinarão com precisão o papel da má alimentação no surgimento de determinadas doenças.
O papy boom, nome dado ao choque demográfico que o envelhecimento da população provocará nos próximos anos (numa contraposição ao baby boom pós-II Guerra Mundial), terá um impacto ainda não equacionado na economia, afetando o futuro dos sistemas de aposentadoria. Se é difícil prever como a sociedade sustentará os aposentados de 2050, é bem mais fácil concluir sobre a situação de saúde que eles terão: estarão em condições físicas bem melhores que os das gerações anteriores. Festejar o centésimo aniversário, privilégio atualmente de apenas 0,01% da população brasileira, será regalia para uma parcela bem maior em 2050. Segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde, o número de centenários no mundo chegará a 2,2 milhões, quinze vezes mais do que o registrado atualmente. O Brasil deve alcançar a nona posição nesse ranking.
É justamente com os centenários que os pesquisadores vêm descobrindo lições preciosas sobre os fatores decisivos para uma vida prolongada e saudável. O papel da genética está cada vez mais bem estabelecido. Após estudar 400 pessoas com mais de 95 anos e seus descendentes, o médico israelense Nir Barzilai, diretor do Instituto para Pesquisa do Envelhecimento da Faculdade de Medicina Albert Einstein, em Nova York, analisa a influência dos genes na probabilidade de ultrapassar os 80 anos. "Uma vez que esses centenários estudados não tiveram doenças relacionadas à idade, como diabetes ou distúrbios cardiovasculares, suspeita-se que eles possuam variações genéticas que os ajudem a ultrapassar a barreira dos 100 anos", afirma Barzilai.
Os estudos indicam que, até os 80 anos, muitos fatores individuais influem na longevidade; depois dos 80, a genética é fundamental. Para o médico brasileiro Angelo Bos – diretor de um estudo do Instituto Nacional do Envelhecimento, uma agência federal americana –, a biologia molecular tem ajudado a entender a predisposição genética de algumas pessoas a desenvolver doenças que afetam a saúde e a longevidade. Entretanto, a chave do envelhecimento bem-sucedido, com qualidade de vida, não está na ausência de doenças, e, sim, na preocupação que o indivíduo tem com a manutenção do bem-estar desde a fase adulta.
"A partir de uma certa idade, a genética pode ser determinante, mas a vida social e os exercícios físicos e mentais ao longo do tempo influenciam na chegada a esse ponto e, depois, na caminhada até os 100 anos com lucidez e disposição", diz o médico americano Roy G. Smith, responsável pelos estudos do envelhecimento na Faculdade de Medicina Baylor, em Houston, no Texas. Smith pesquisa proteínas presentes no cérebro e na hipófise que, reativadas na velhice, parecem ter efeito positivo sobre a memória, o aprendizado e o humor. Isso ajudaria a explicar a relação apontada em vários estudos, mas ainda não comprovada cientificamente, entre um estado de espírito jovial e uma vida longa, e pode teoricamente desembocar em medicamentos que devolvam ao sistema nervoso central parte do vigor da juventude. "Um tratamento com essas pequenas moléculas poderá ser uma maneira eficaz de retardar o envelhecimento, evitar doenças ou, por exemplo, melhorar a tolerância do corpo a uma quimioterapia", afirma o pesquisador.
Se no processo do envelhecimento cerca de 70% das interferências estão relacionadas a fatores ambientais e 30% aos genes, segundo o médico Emílio Antônio Jeckel Neto, especializado em biologia do envelhecimento da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, as descobertas recentes não invalidam a importância dos conhecimentos já estabelecidos sobre o estilo de vida para quem deseja retardar o processo de envelhecimento e prevenir câncer e doenças cardíacas: atividades físicas regulares e moderadas; hábitos saudáveis como não fumar; e, sobretudo, uma alimentação balanceada e – literalmente – colorida. "Deixando de lado o fator genético, a alimentação é a principal responsável pela longevidade e pela qualidade de vida na terceira idade, seguida pela atividade física regular", explica o geriatra e nutrólogo Nelson Iucif Júnior, diretor clínico da Associação Brasileira de Nutrologia.
As dietas da moda, que elegiam grupos inteiros de alimentos como vilões, vêm perdendo prestígio. Hoje, os especialistas recomendam não descartar carboidratos, gorduras e proteínas. O mais importante é a moderação. "Parece que comer pouco prolonga a vida, principalmente quando conseguimos aliar qualidade nutricional e prazer no que comemos", afirma a nutróloga Ellen Simone Paiva, diretora-clínica do Centro Integrado de Terapia Nutricional. Essa é a tese por trás de best-sellers recentes, como As Mulheres Francesas Não Engordam (editora Campus/Elsevier). Segundo a autora, Mireille Guiliano, o segredo para comer de tudo sem culpa e não engordar é dar ênfase ao frescor dos alimentos, à variedade, ao equilíbrio, à quantidade das porções e, principalmente, ao prazer de sentar-se à mesa e apreciar uma boa comida ou um bom vinho. "As francesas não são neuróticas e não seguem regimes radicais. Mudar hábitos pode ajudar qualquer um a viver em forma e com saúde", diz Mireille, que vive nos Estados Unidos.
Todos esses cuidados não dispensam a prevenção com exames e consultas. "Não basta saber o que causa doenças. Deve-se procurar não estar doente. As pessoas às vezes acham que são imunes, inclusive os médicos", diz o professor Jarbas Dinkhuysen, do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. Avaliações do coração, por exemplo, são indispensáveis a partir dos 40 anos, e até antes, se houver histórico familiar. O mesmo se aplica a várias outras doenças.
 
A AGENDA SAUDÁVEL
Exames preventivos podem ser decisivos para prolongar a vida com qualidade. Abaixo, uma lista dos principais check-ups periódicos. Em todos os casos, porém, é o médico que deve determinar quais os exames e qual a freqüência deles para cada paciente
PARA ELES
Antes dos 40 anos
• Devem-se fazer auto-exames testiculares – esse tipo de câncer é mais comum até os 35 anos
A partir dos 40 anos
• Eletrocardiograma e teste de esforço anuais, para prevenir o infarto
• Exame de próstata, caso haja histórico de câncer na família

A partir dos 50 anos
• O exame periódico da próstata é indispensável

PARA ELAS
Até os 40 anos
• Visitas anuais ao ginecologista. O exame papanicolau, em mulheres que já tiveram relação sexual, permite descobrir um câncer do colo uterino
• A partir dos 25 anos, mulheres com histórico familiar de câncer de mama devem fazer mamografias periódicas
A partir dos 40 anos
• Recomendam-se mamografias anuais, eletrocardiograma e teste de esforço para o coração – as mortes por infarto têm aumentado entre mulheres
• A cada dois anos, pelo menos, uma densitometria óssea deve investigar o risco de osteoporose

PARA AMBOS
Até os 50 anos
• Controlar a cada três anos a pressão arterial (ou anualmente, se houver histórico familiar que o recomende)
• A cada dois anos, exame de sangue para medir colesterol, triglicérides, glicemia, glóbulos brancos e vermelhos; exame de urina e provas hepáticas
• Exames periódicos da visão
50 anos
• Controle anual da pressão
• Exame de sangue oculto a cada quatro anos, pelo menos
60 anos
• Além dos exames acima, vacinas contra a gripe e outras doenças respiratórias