quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Como vencer a depressão e manter a pratica de exercícios físicos

Movimente-se! Pois sua vida pode depender disso; é o que sugerem numerosos estudos, que têm identificado o exercício como um fator chave na redução dos sintomas da depressão.

Uma pesquisa recente, por exemplo, descobriu que, em comparação à idade, raça, sexo, índice de massa corporal, colesterol, pressão arterial e diabetes, é o estilo de vida sedentário de uma pessoa deprimida que, sozinho, responde por aproximadamente 25% do risco de morte relacionada ao coração.

O maior problema é que, quando você está deprimido, a última coisa que você quer fazer é exercício. Dado o desespero, letargia, insegurança, esgotamento, desinteresse, e vergonha experimentados com a depressão, a sugestão de exercício parece adicionar insulto à injúria.

Saber que o exercício poderia ajudar, mas sentir-se incapaz de fazer atividades muitas vezes contribui para autorrecriminações e baixa autoestima em pessoas com depressão. Parece que quanto mais você vê os outros se exercitando, mais parece impossível que você o faça.

Dada a recente discussão dos prós e contras de medicamentos e tratamentos para a depressão, é importante que as pessoas tenham informações e opções alternativas em mãos. Parece também importante fazer qualquer coisa que possa funcionar para você.

Se você gostaria de se exercitar, mas acha impossível, aproveite algumas sugestões:

Não pense em “exercício”, pense em movimento com motivação

Não se compare com o vizinho que corre trinta quilômetros por dia. Comece com um plano simples de se mover, fazendo-o em seu tempo e ligado a algo que você ama. - Estacione e caminhe: se tem uma loja que você gosta de fazer compras, comece movimentando-se lentamente, parando seu carro um pouco mais longe da porta a cada dia. Você vai se surpreender.

:: Fale com um amigo - chame alguém para andar com você, nem que for um quarteirão. Mas permita-se parar e voltar atrás. Você está no comando.

:: Se apoie - há poder e motivação na companhia de outros, especialmente pessoas que têm uma agenda semelhante à sua. Se você não tem um vizinho com quem possa caminhar, que tal ir a pé até a casa de um amigo querido para conversar com ele?

:: Ouça um livro - passeie em torno do seu quintal, seu quarteirão ou em um lugar seguro para ouvir um áudio livro por 10 minutos. Apenas ouça o livro enquanto caminha, limpa a casa, etc.

:: Tenha outro motivo - um homem começou a caminhar em uma esteira enquanto assistia reprises de shows que ele amava; seu primeiro objetivo não era se exercitar.

:: Ouça música - a música tem um forte impacto sobre a estimulação cerebral. Se você ama certa música, coloque seus fones de ouvido e seu tênis. Comece a se mover; dance, passe aspirador, caminhe, ande de bicicleta. Escolha uma música agitada.

:: Visualize uma recompensa - ande toda manhã até a padaria. Pense o caminho todo no café e pãozinho que você pretende comprar.

Não se exercite por sua causa: ajude alguém que você ama

Muitas vezes saltamos de prédios em chamas por aqueles que amamos. Ajudar seus filhos, netos, sócios, animais de estimação, pode ser a motivação que faz do pensamento do exercício necessário e, portanto, possível.

Exemplo: uma jovem viúva com dois filhos em idade escolar era “arrastada” do sofá pelos pupilos até um parque nos primeiros meses após a morte de seu marido. Apesar de sua relutância e queixas, o passeio sempre valia a pena.

Também, uma análise recente de 73 estudos descobriu que a atividade física reduziu significativamente os sintomas de depressão, ansiedade, sofrimento psíquico, baixa autoestima e distúrbios emocionais em crianças e adolescentes na faixa etária de 3 a 17 anos.

Melhore o romance

Muitos casais descobrem que a única oportunidade de estar longe de todos, da interrupção das mídias sociais e do barulho do mundo é caminhando de manhã, após o jantar, etc. É uma maneira de ficarem juntos. Muitas vezes, um ou outro não vai querer ir. Assim, um pode estimular o outro e os dois sempre aproveitarão esse momento – e se exercitarão.

Recompense seu animal de estimação

Ninguém questiona os benefícios que os animais de estimação trazem. Um deles é que as pessoas que possuem animais de estimação tendem a ser mais saudáveis e menos deprimidas, e uma das razões para isso é levá-los para passear.

Quando estamos deprimidos, no entanto, mesmo isso pode parecer muita coisa. É muito mais fácil simplesmente abrir a porta e deixá-lo sair, mas a necessidade de companhia e o carinho que seu bichinho precisa pode ser algo que lhe torne disposto a empurrar-se para fazer. Se for assim, todos ganham.

Qualquer um que já sofreu de depressão conhece o medo de nunca se sentir melhor. Mesmo o menor passo que você der, no entanto, é um antídoto para esse grande desespero. Você merece o melhor, e deve tentar.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Mais um estudo sugere que combinação de aeróbica e musculação é melhor exercício para diminuir riscos de diabetes e doenças cardíacas



NOVA YORK - Uma combinação de treino de musculação e exercícios aeróbicos pode ser a melhor maneira de pessoas acima do peso diminuírem fatores de risco de diabetes e doenças cardíacas, sugere um novo estudo. A pesquisa realizada nos Estados Unidos mostra que indivíduos que fazem apenas exercícios aeróbicos também perdem peso e medidas na cintura, o que indica que um programa apenas com aeróbica é uma boa (e mais rápida) opção.
Já os voluntários que participaram do estudo e que fizeram apenas musculação tiveram muitos poucos benefícios em termos de saúde cardíaca, apesar de terem ganhado força.
- A combinação de aeróbica e musculação é claramente o programa ideal - disse Timothy Church, que estuda exercícios e doenças no Centro Pennington de Pesquisa Biomédica da Universidade Estadual de Louisiana em Baton Rouge.
As descobertas estão de acordo com outra recente pesquisa e com diretrizes de atividade física que indicam um mix de um pouco de treino de resistência com exercício aeróbico regular.
Pesquisadores liderados por Lori Bateman do Centro Médicos Universitário Duke em Durham, na Carolina do Norte, distribuiu 196 adultos sedentários acima do peso em três diferentes programas de exercícios.
Um grupo fez treino de resistência três dias por semana, usando em oito aparelhos diferentes para trabalhar os músculos da parte superior e da parte inferior do corpo. Um segundo grupo fez duas horas de treino aeróbico por semana em máquinas de ginástica. O terceiro grupo fez os exercícios aeróbicos e de resistência.
Mais de um quarto dos voluntários desistiram do estudo durante os oito meses de pesquisa e outros não completaram todos os requisitos pedidos pelos pesquisadores. Assim, no fim, Bateman e seus colegas analisaram os padrões pré e pós exercícios de 86 participantes.
Em média, as pessoas que participaram do treinamento de resistência ganharam cerca de 1,5 quilo e algumas medidas na cintura, sem alterar seus fatores de risco para diabetes e doenças cardíacas. Os que participaram do grupo de exercícios aeróbicos perderam uma média de três quilos e um pouco de cintura. Já as pessoas que combinaram os dois tipos de programa se livraram de quatro quilos e 2,54 cm de cintura. O grupo também viu cair a pressão arterial diastólica (nível mínimo) e os pontos da síndrome metabólica (combinação dos fatores de risco de diabetes e de doenças cardíacas).
No entanto, análises estatísticas mostraram que os participantes fazendo aeróbica e musculação não apresentaram necessariamente melhores resultados do que aqueles que apenas fizeram o treinamento aeróbico. Os pesquisadores disseram que não estava claro se os benefícios aparentes do programa combinado foram devido aos efeitos do treinamento com peso, ou ao maior tempo gasto na academia.
O treinamento de resistência trabalha músculos e ossos, que podem aumentar o peso corporal, embora trate-se de uma massa corporal mais magra e forte. Tanto o grupo da aeróbica quanto o que combinou os exercícios reduziram seus níveis de triglicerídeos - um tipo de gordura no sangue.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Os hábitos que fazem bem ao cérebro


Estudos recentes sugerem que o desempenho do cérebro melhora conforme envelhecemos. Algumas habilidades, como a capacidade de resolver problemas, atingem seu ápice entre os 40 e 60 anos. A boa nova, porém, vem acompanhada de um aviso: para manter os circuitos em pleno funcionamento com o passar dos anos, é necessário tomar precauções e colocar o corpo e a mente para funcionar.

Atividades físicas

Desde que os pesquisadores descobriram que os neurônios continuam a nascer durante toda a vida, ainda na década de 1980, o foco das pesquisas se voltou para descobrir quais fatores estimulariam a geração dessas novas células. Os cientistas descobriram que quanto mais sangue circular pelo cérebro, maior o número de novas neurônios. E uma ótima maneira de aumentar o fluxo sanguíneo é praticar exercícios.

Os estudos mais recentes sugerem que a atividade física estimula o desenvolvimento de novos neurônios em uma região do cérebro responsável pela memória, o hipocampo. O efeito se dá especificamente em uma pequena área do hipocampo, chamada de giro dentado. Outras regiões cerebrais, ligadas à cognição e ao raciocínio, também se beneficiam com atividades físicas. O neurocientista Art Kramer, da Universidade de Illinois, monitorou um grupo de pessoas com mais de 60 anos que praticou exercícios regularmente durante seis meses. O grupo teve um aumento do volume cerebral em áreas do lobo frontal, região importante para o raciocínio, e do corpo caloso, área que une as duas metades do cérebro. Pesquisas anteriores sugerem que, quando essa região sofre deterioração com o passar dos anos, a velocidade do raciocínio é prejudicada.

Não é preciso se tornar um atleta de triatlo para cuidar do cérebro. Caminhar trinta minutos, três vezes por semana já tem seus efeitos, dizem os especialistas.

Alimentação

A ciência ainda está começando a desvendar se - e como - a alimentação pode ajudar a manter o bom desempenho do cérebro. O que se sabe até o momento é que certos nutrientes podem chegar, sim, até o cérebro e afetar seu funcionamento, e que doenças crônicas ligadas à obesidade, como o diabetes, podem aumentar o risco de doenças neurodegenerativas, como o Mal de Alzheimer.

Os estudos na área estão direcionados para a ação de agentes anti-inflamatórios e antioxidantes (substâncias que impedem o acúmulo de moléculas nas células, que podem causar erros de funcionamento). Um experimento feito em animais pela pesquisadora Bárbara Shukitt-Hale, da Universidade de Tufts, nos Estados Unidos, sugere que antioxidantes encontrados no morango, uva e derivados, espinafre e, principalmente, no mirtilo, (fruta comum na Europa) adiaram danos à memória e a funções motoras. No estudo, os ratos mais velhos, que já apresentavam declínio cognitivo, foram alimentados com extrato de mirtilo e morango. Os animais tiveram um desempenho melhor nos testes que mediram habilidades cognitivas e motores. E quando os pesquisadores analisaram o cérebro dos animais, perceberam que havia menos moléculas que podem causar erros de funcionamento nas células. “Nosso estudo mostrou que esses agentes antioxidantes têm efeito direto no cérebro, aumentando a produção de neurônios e de ligações entre essas células”, diz Bárbara.

Ginástica Cerebral

Até a Nintendo, com o seu Brain Age, entrou no mercado dos games de ginástica cerebral, que prometem deixar a mente mais afiada e retardar os efeitos da idade. Nenhum desses jogos apresentou provas científicas do seu funcionamento, mas o surgimento desse nicho de consumo deixa a dúvida: é possível, por meio de estímulos direcionados, “treinar” nosso cérebro? Sudoku e palavra cruzada ajudam? Podemos exercitar nossa mente para resistir aos efeitos do envelhecimento? É o que os neurocientistas buscam descobrir no momento.

Estímulos à concentração e desvio de foco para treinar o cérebro parecem ter efeitos positivos. Um estudo conduzido na Universidade de Columbia pelo neurocientistas Yaakov Stern usou um jogo chamado Fortaleza Espacial, que induz seus jogadores a se concentrar em tarefas distintas. Os resultados iniciais do estudo sugerem que treinar a concentração em uma tarefa, enquanto outras são realizadas ao mesmo tempo, melhora o desempenho em testes cognitivos.

Para Ivan Okamoto, pesquisador do Instituto da Memória da Universidade Federal de São Paulo, devemos apostar em atividades estimulantes em vez de investir em exercícios destinados apenas a melhorar o desempenho cognitivo. “A complexidade da tarefa é que vai fornecer mais dados, mais habilidades, tanto motoras quanto sensoriais e sensitivas”, diz Okamoto. “Melhor do fazer palavras cruzadas, é aprender uma língua estrangeira. Melhor do que jogar xadrez é navegar no computador”. O importante é viver em um ambiente estimulante e procurar sempre adquirir novas habilidades, seja um novo idioma ou aprender a tocar um instrumento. O relacionamento com a família e os amigos é outra maneira de estimular o cérebro. “Isso mantém a atividade intelectual e emocional”, diz Okamoto.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Pode tudo. Mas pegue leve

É saudável preocupar-se com o físico – e os adolescentes estão levando isso a sério. Nunca antes as academias de ginástica foram freqüentadas por gente tão jovem. Do total de alunos de grandes academias, como Runner, Fórmula Academia e Bio Ritmo, 25% têm menos de 20 anos. "A garotada começa a procurar a musculação a partir dos 13 anos, porque seus exercícios trazem resultados estéticos muito rápidos", diz Manoel Carrano, diretor-presidente da Fórmula Academia. Isso é bom e ruim. O jovem pode praticar todas as modalidades esportivas sem prejuízo à saúde ou ao processo de crescimento. Mas isso deve ser feito com moderação. Ou seja, é preciso limitar o tempo da prática esportiva e o esforço exigido. "A quantidade ideal até os 18 anos é seis horas por semana", diz Ana Lúcia de Sá Pinto, médica do esporte e pediatra do Ambulatório de Medicina Esportiva do Hospital das Clínicas, em São Paulo. O que requer mais cuidado e precaução é a sobrecarga de esforços. Vale a regra geral de que o jovem pode suportar 60% da carga de um adulto.

Os esportes dividem-se em quatro categorias, cada uma delas com diferente grau de cuidados para o adolescente:

Anaeróbios: são os exercícios em que o praticante corre e pára várias vezes. Exemplos: futebol, basquete, vôlei, tênis e handebol. Uma partida de futebol entre adolescentes não deveria ultrapassar os 60 minutos, contra os 90 do jogo oficial. É evidente que os jovens não levam isso em conta e jogam durante horas, se puderem. Mas é o que diz o manual médico. Em tese, os excessos praticados nesses jogos não têm conseqüências drásticas.

Aeróbios: são as modalidades que trabalham os músculos usando a respiração na produção de energia. Exemplos: corrida, ciclismo, natação, dança e ginástica aeróbica. Não há problema algum em correr e andar de bicicleta livremente, mas para competições a idade mínima recomendada é 14 (ciclismo) e 16 anos (corrida).

Exercícios de resistência: são os que trabalham principalmente a força muscular. Entram nessa categoria a musculação e a ginástica olímpica. A musculação já foi inteiramente proibida para jovens na idade do crescimento. Hoje é permitida para maiores de 15 anos, mas com a restrição de peso. O excesso de carga pode levar ao endurecimento das articulações e, dessa forma, causar a interrupção precoce do processo de crescimento.

Exercícios de resistência de alto risco: o objetivo é trabalhar a força dos músculos de forma intensa para ganhar massa muscular. Exemplos: o fisiculturismo, o levantamento de peso e o boxe. São contra-indicados para adolescentes. "O ideal é esperar o fim da fase de crescimento para começar a se preocupar com o ganho de massa muscular", diz o ortopedista Francisco Vanor Cruz, especialista em medicina do esporte do Hospital Uniclinic, em Fortaleza. "Antes disso, o garoto não tem corpo de homem e os ossos não estão consolidados."

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Parece que só você não corre?

 
Basta observar o movimento nas ruas das principais cidades brasileiras, no início das manhãs e nos fins de tarde, para constatar: correr está na moda. Cada vez mais gente descobre os prazeres – e as vantagens – da corrida como forma de condicionamento físico. Calcula-se que, hoje, 4 milhões de brasileiros corram regularmente. É uma febre que pode ser medida pela quantidade de esportistas que participam de provas e competições. Em São Paulo, o número de inscritos nas diversas provas realizadas pela ONG Corpore, a maior organizadora de eventos desse tipo na América Latina, passou de 9 400 pessoas em 1997 para mais de 56 000 em 2004. A Meia Maratona do Rio de Janeiro, que em 1997 contou com 3 300 competidores, neste ano teve recorde de 13 400 corredores inscritos. Na São Silvestre, a competição mais famosa do país, realizada todo dia 31 de dezembro em São Paulo, o número de participantes passou de 7 700 em 1996 para mais de 15 000 em 2003 – chegando ao limite de inscrições que o regulamento permite. A febre da corrida se evidencia também pela multiplicação das assessorias esportivas, organizações formadas por treinadores e professores de educação física que planejam e orientam os treinos de quem quer ampliar os próprios limites na corrida. Em São Paulo já existem 120 empresas desse tipo. 

Segundo os médicos, a corrida é um dos melhores exercícios que existem. Estudos recentes concluíram que sua prática regular proporciona os seguintes benefícios à saúde: 

• Reduz o risco de doenças cardiovasculares, ajuda a pressão arterial a manter-se em níveis satisfatórios e aumenta as taxas de HDL (o bom colesterol).
• Diminui o risco de desenvolver diabetes. Faz com que a ação da insulina se torne mais eficiente, reduzindo a taxa de açúcar no sangue.
• Melhora o funcionamento do cérebro e o humor. Durante a corrida, o cérebro aumenta a produção de serotonina, dopamina e endorfina, substâncias que proporcionam sensação de bem-estar.
• Fortalece os ossos e as articulações. Faz com que a densidade dos ossos aumente durante a juventude e desacelera a perda de massa óssea na fase adulta.
• Ajuda a emagrecer e a manter o peso. O organismo queima uma grande quantidade de gordura para produzir energia. Em uma hora de corrida rápida, eliminam-se 800 calorias, mesma quantidade fornecida por um hambúrguer e uma porção de batatas fritas. 

Mesmo quem costuma caminhar pode incluir um pouco de corrida no meio do exercício. Bastam dois minutos de corrida para aumentar a combustão de calorias e melhorar o condicionamento físico

domingo, 12 de junho de 2011

É melhor pegar leve

Até alguns anos atrás, o adolescente praticava esporte na rua, na escola, no clube ou na área de lazer do condomínio. Cada vez mais, no entanto, o público dessa faixa etária vem se deixando seduzir pelas academias. Na vida de muitos meninos e meninas, freqüentar esses lugares virou atividade corriqueira. Academias já oferecem, inclusive, programas específicos para eles. Os especialistas julgam que esse cultivo do corpo é positivo, porque se trata de um contraponto a práticas como a alimentação à base de fast food e o hábito de gastar horas diante do computador. Mas os jovens devem ficar atentos aos riscos a que estão expostos. Como seu corpo e sua identidade estão em formação, o adolescente é naturalmente inseguro com a aparência. E a comparação com os físicos malhados ao redor – em geral de adultos que já completaram o desenvolvimento do corpo – pode aumentar suas angústias. Os garotos querem ficar tão musculosos quanto os veteranos do local. As garotas almejam ter a silhueta esbelta das mulheres. Quando viram obsessão, esses desejos prejudicam a saúde, causam transtornos psíquicos e até levam ao caminho das drogas 


Os jovens estão freqüentando a academia cada vez mais cedo. No caso dos garotos, o chamariz é a musculação. Embora se recomende que esse público dê preferência a esportes como o vôlei e a natação, o exercício de levantar pesos pode ter efeito benéfico, se bem orientado. O estudante paulistano Octacílio Costa Neto, de 12 anos, é um exemplo. Ele pratica musculação há cinco meses, sob a supervisão de um professor, para corrigir sua postura. "Já sinto a diferença", diz Neto. Mas a musculação na adolescência deve ser vista com cautela. Quando observam os mais crescidos pegarem pesado nos halteres, muitos tendem a imitá-los – e isso pode ter conseqüências graves. A prática precoce pode prejudicar o crescimento do adolescente. "Há riscos de lesões e de atrofia dos músculos", diz o professor de educação física Mauro Celio do Carmo, da academia paulistana Fórmula.


Ao freqüentarem esses ambientes de culto ao físico, os adolescentes têm de tomar cuidado para não entrar numa espiral de neuroses. Os garotos que praticam musculação são suscetíveis a um transtorno psíquico conhecido como vigorexia. Apesar de musculoso, o rapaz se olha no espelho e acha que está flácido. Isso leva ao ganho exagerado de massa muscular e à tentação dos anabolizantes. O contrário disso – a obsessão de perder peso – não é um perigo menor. Uma pesquisa do Instituto Central do Hospital das Clínicas de São Paulo mostrou que, num universo de 588 jovens de 11 a 18 anos, 47% tinham feito dieta mais de oito vezes. "Quase 5% deles recorreram a métodos nada ortodoxos para perder peso, como o uso de laxantes e diuréticos e o vômito auto-induzido", diz a psicanalista Mara Cristina de Lucia, que coordenou o estudo. As meninas são as maiores vítimas da obsessão pela magreza. No caso das garotas que freqüentam academia, gastar mais tempo que o recomendável na esteira pode ser um indício de que a preocupação passou dos limites. Num extremo – e aí já se trata de distúrbios que requerem apoio de terapia –, a fixação pode levar a males como a anoxeria e a bulimia. Não custa lembrar: preocupar-se com o corpo faz bem, mas é melhor pegar leve. 

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Não dá para não fazer!

Mesmo depois de tudo o que foi dito e escrito sobre as maravilhas que a atividade física pode proporcionar, ainda falta ânimo para começar a malhar? Aí vai uma sugestão: encare a prática regular de exercícios físicos como quem poupa dinheiro para uma aposentadoria tranqüila. Pessoas que se exercitam vivem mais e melhor. Depois de acompanharem durante 25 anos 17 000 estudantes recém-saídos da faculdade, pesquisadores da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, chegaram a uma conta tão simples quanto dois mais dois. Cada hora dedicada à atividade física rende duas horas a mais de vida. O sedentarismo está relacionado a 37% das mortes por câncer, a 54% dos óbitos por doenças cardiovasculares e a 50% dos derrames fatais. Vale a pena levantar-se do sofá, espantar a preguiça e começar a se mexer, não vale?

A importância da atividade física para a saúde começou a ser esmiuçada no fim da década de 60, pelo médico americano Kenneth Cooper. No livro Aerobics, de 1968, ele lançou a teoria de que a chave para manter o organismo em bom estado, especialmente o coração e os pulmões, eram os exercícios aeróbicos. Com o lema de que "mais é melhor", o doutor Cooper preconizava uma rotina de atividade física que se iniciava com corridas de 1,6 quilômetro em doze minutos, cinco vezes por semana. Progressivamente, o ritmo deveria aumentar até alcançar a marca dos 2,8 quilômetros, percorridos nos mesmos doze minutos. Era, sem dúvida, um exagero. Com as descobertas proporcionadas pela fisiologia do esporte, muita coisa mudou de lá para cá. Percebeu-se que o excesso de atividade física pode fazer muito mal à saúde. Os danos mais comuns são as lesões musculares, articulares e nos tendões. O próprio Cooper reviu seus conceitos e tornou-se um arauto da ginástica com moderação. As desabaladas carreiras foram substituídas por caminhadas diárias de 3 quilômetros em meia hora. Com essa rotina, é possível reduzir em até 40% a incidência de várias doenças crônicas. Cai o risco de infarto, derrame, diabetes, osteoporose, artrite e até depressão.

Até pouco tempo atrás, acreditava-se que a musculação não tinha importância nenhuma para a manutenção de uma boa saúde. Servia apenas para tornear formas. Esse equívoco foi desfeito. Estudos recentes mostram que puxar ferro é tão benéfico quanto caminhar ou nadar – desde que, é claro, com a devida orientação de instrutores especializados. Trabalhar os músculos das pernas, por exemplo, faz bem ao coração. Com as pernas fortalecidas, o retorno do sangue ao coração é mais eficiente. A musculação também protege os ossos e as articulações. A contração muscular estimula as células produtoras de ossos a trabalhar com mais vigor e intensifica a fixação de cálcio no esqueleto, o que ajuda a prevenir a osteoporose, doença em que há uma perda progressiva de massa óssea. O aumento de músculos diminui o atrito entre as articulações, o que baixa o risco de artrose. Como são os músculos que sustentam o esqueleto, quando estão enrijecidos eles mantêm a postura certa. Não é à toa que os exercícios de musculação são indicados para muitos casos de dores nas costas. A musculação intensifica ainda a eliminação de glicose pelo organismo. O excesso de glicose no sangue é o que caracteriza o diabetes. Tem mais. Quem imagina que musculação não emagrece está redondamente enganado. Uma pesquisa americana mostra que, duas horas depois do término de um treinamento com peso, o organismo continua a queimar calorias.

O que se recomenda atualmente, em nome da boa saúde, é uma rotina de exercícios físicos que agregue atividades aeróbicas, musculação e alongamento. Essa é a forma mais indicada de melhorar e manter o fôlego, a força, a flexibilidade e a coordenação motora. À medida que o tempo passa, a importância disso tudo vai saltando mais e mais aos olhos. São essas características que permitem que uma pessoa de idade conserve a sua independência na execução de atividades corriqueiras. O jovem malhador de hoje, enfim, é o senhor sacudido de amanhã.